fazdeconta
(Pedaços de papel celofane a embrulharem chupa-chupas lambidos)
Domingo, Maio 19, 2013
máscaras
Quarta-feira, Maio 08, 2013
sei que não é agradável ler um rol de realidade atormentada pelo défice, que, é mais aprazível à alma ver fotos de sítios onde jamais iremos, cães e gatos amorosos e declarações estereotipadas mais ou menos bacocas dependo do estado das hormonas que nos gerem nesse dia.
Mas percam só um minutinho e a seguir ide relaxar o ventre na franca bisbilhotice da página gira, gira do vizinho...
1-Sofia Galvão, no Expresso: "Quando se gasta mais do que se tem, há défice. Quando se pede dinheiro emprestado para acudir ao défice, há dívida. Quando se continua a gastar para lá do que se pode, o défice aumenta. Quando o défice não diminui, a dívida cresce. E quando não se corrige o caminho, o ciclo torna-se infernal, alimenta-se a si próprio e destrói todo o potencial de desenvolvimento, realização e esperança."
E mais adiante: "Hoje, em Portugal, os salários e as pensões pagos pelo Estado representam mais de 90 % da colecta fiscal." (Talvez haja aqui algum exagero.)
2-Não se pode ser mais claro. Mas faltam aqui duas componentes:
a) Porque é que se gasta mais do que se tem;
b) Qual o método acertado para diminuir o défice e a dívida.
3-Não há nenhuma experiência histórica de sucesso em que se tenha conseguido pagar dívida nem diminuir défice à custa de austeridade - sobretudo se for em doses brutais (como em Portugal e na Grécia). A austeridade desenfreada só conduz a recessão, que por sua vez pede mais austeridade, que leva a mais recessão, ... etc. (a famosa espiral recessiva - em que já estamos, como já foi reconhecido por toda a gente, até pelo Presidente da República).
4-Há poucos anos, a Islândia decidiu não pagar as dívidas dos seus bancos que se tinham entregado à especulação financeira imprudente: deixaram-nos ir à falência (após interessante referendo popular, que devia fazer pensar os nossos políticos) - e hoje já estão de novo em crescimento, e a sair da crise.
5-Em 2010, para acudir à dimensão do défice, a Roménia pediu ajuda ao FMI. Face às condições impostas por este para a "ajuda" financeira, decidiu recusá-la. Resultado: desde o ano seguinte ainda não parou de crescer.
6-Em Portugal os números destes dois últimos anos são tão arrasadores que se torna suspeita a teimosia dos nossos governantes: a austeridade não baixou praticamente nada o défice, fez disparar a dívida, arrasou o emprego, devastou a economia.
A própria Europa já está generalizadamente em recessão ou crescimento nulo.
Mas ninguém quer ver.
7-Pessoalmente, tenho uma teoria para explicar esta decadência da Europa: a geração que nela está agora no poder já foi educada mais pela televisão e pelo computador do que pelos livros - e portanto são essencialmente políticos parolos, deslumbrados pelo dinheiro e pelo poder, e ignorantes acerca do humanismo - que é contudo o traço mais profundo do ser europeu -, exactamente porque não têm estatura cultural nem sentido de serviço a causas, mas apenas a interesses.
Pagaremos estes erros e equívocos com a irrelevância - que, aliás, já se começa a sentir.
8-Voltemos então às duas componentes do n.º 2. e comecemos pela primeira.
Em Portugal, não se gasta mais do que se tem por se pagar bem demais - sempre foi, aliás, ao contrário. Exceptuam-se alguns salários de topo, verdadeiramente pornográficos, que deveriam envergonhar os seus detentores. (Este é, de resto, mais um sinal da nossa parolice: salários baixos muito mais baixos do que a média europeia, salários altos muito mais altos do que a média europeia. Relação média entre o salário mais baixo e o mais alto nas empresas alemãs: um para oito; em Portugal: um para 34. Não é preciso dizer mais.)
Em Portugal gasta-se mais do que se tem porque se pagam muitas coisas (e algumas pessoas) que não deviam ser pagas. (Ver nº 10.)
9-Provado que não se combate o défice nem a dívida com a austeridade - que, pelo contrário, só os faz crescer - e que subir brutalmente os impostos provoca menos receita fiscal - pois, afinal, o défice e a dívida só se combatem com crescimento, também já se percebeu que é pelo lado da despesa que é preciso atacar o "gastar mais do que se tem" (e assim entramos na segunda componente do n.º 2.).
10-Algumas receitas simples para diminuir a despesa:
a) redução drástica dos gastos com a defesa (a Costa Rica não tem forças armadas: tem um acordo de defesa com os EUA, em caso de agressão externa. Nós já não temos colónias e a Espanha não é um inimigo. A Costa Rica é só um caso para reflexão);
b) redução drástica das empresas municipais (já sei que é o mais difícil, porque é lá que se alojam as clientelas partidárias; mas é um imperativo nacional);
c) redução drástica do número de municípios (idem);
d) redução drástica do número de deputados à AR (é uma medida pouco mais que simbólica mas por isso mesmo altamente pedagógica). E também: pagar-lhes melhor, mas exigir exclusividade (impedindo quaisquer acumulações com outros cargos);
e) redução drástica das mordomias da maioria dos cargos públicos (os governantes e os gestores das empresas públicas podem bem ir para os seus empregos nos transportes públicos - também é um sinal pedagógico. Até nisto somos parolos.);
f) redução drástica das contratações feitas pelo Estado em outsourcing (aproveite-se a massa crítica nacional; tenham paciência os grandes escritórios de advogados);
g) diminuição progressiva do número de funcionários onde já são ou em breve se tornarão excedentários (professores, por exemplo);
h) estabelecimento de tectos máximo e mínimo para os salários e pensões públicos (digamos 10000 euro e 500 euro, respectivamente, para começar);
i) simplificação fiscal e administrativa séria e não a fingir.
11-Receita para fazer disparar o crescimento:
a) restituir os subsídios e os salários em vigor em 2011, e eliminar o confisco que é a contribuição extraordinária de solidariedade;
b) baixar o IRC.
Não é preciso mais. Verão o consumo interno a subir, as falências a estancarem, o desemprego a diminuir, a economia a crescer. Poderemos então pagar, pouco a pouco, o que devemos.
12-Sozinhos somos insignificantes na Europa. Mas juntos com Espanha, Itália, Irlanda, Grécia já somos "temíveis" para os burrocratas (sic) de Bruxelas ajoelhados perante a Alemanha. Com receitas destas, não será difícil garantir-lhes que pagaremos, sim, tudo o que devemos, mas com prazos e sobretudo juros decentes (digamos 0,5% ao ano, pagos ao BCE - que pode fabricar tantos euros quantos precisar; e se isso fizer baixar a cotação do euro, até que não era mau para a economia europeia...).
P. S. - Sabiam que na Alemanha as pensões dos reformados não são propriedade do Estado e por isso são intocáveis? Está na Constituição alemã. Olhem que curioso...
MIGUEL GRAÇA MOURA, MAESTRO
dn
Segunda-feira, Abril 29, 2013
Domingo, Abril 28, 2013
Domingo, Maio 06, 2012
A Ira
Terça-feira, Dezembro 20, 2011
2012
Quarta-feira, Novembro 09, 2011
Inconfidências II
Sexta-feira, Outubro 14, 2011
Não me fodam, pá!
A estadia Parte II
Terça-feira, Outubro 11, 2011
A ida Parte I
Sexta-feira, Outubro 07, 2011
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Se é o quero para a vida? Não. Adapto-me aceitando-a como filha, simplesmente.
Quarta-feira, Julho 20, 2011
Sábado, Maio 14, 2011
rama fresca e pé bichado
Sexta-feira, Março 26, 2010
Eu sei quem é a Irena...
O meu avô era comunista. Sem ser ferrenho idolatrava a independência e a igualdade entre os povos, e religiosamente guardava no fundo de uma arca, livros e transcritos proibidos pelo regime salazarista. Educou-me de forma pouco ortodoxa. Ensinou-me a ver as pessoas como um todo e depois por partes, passiveis de compreender e de castigar quando o acaso exigisse. Fez questão de me contar o medo e a brutalidade da guerra, da mesma maneira como me mostrava a fragilidade da metamorfose da lagarta em borboleta.
Interessei-me quase patologicamente sobre relatos e series dementes sobre a bestialidade do ser humano, praticados durante a 2º guerra mundial. Eu era a heroína que salvava o mundo da intolerância.
É o nono email que recebo num curto espaço de tempo a perguntar se sabia quem era Irena Sendler.
Resposta:
- Sim sei há algum tempo, e relembro-me quando foi dada a notícia do seu falecimento em 12 de Maio de 2008.
Sim, leram bem. A dita morreu há quase dois anos. E não era alemã, era Polaca nascida na Polónia em 1910, uma completa desconhecida durante muitos anos para os polacos, que passaram a render-lhe homenagem a partir de 2007 altura em que o seu nome foi proposto ao prémio Nobel da Paz.
Fiquem também a saber que o” memorial israelita do Holocausto, o Yad Vashem, lhe entregou em 1965 o título de Justo entre Nações, destinado aos não judeus que salvaram judeu”.(Pesquisem na net que chegam lá)
Mais uma curiosidade acerca de Irena. Não era canalizadora, era assistente social antes da guerra e, trabalhava com “famílias judias pobres de Varsóvia, a primeira metrópole judia da Europa, onde viviam 400.000 dos 3,5 milhões de judeus de toda a Polônia”, em Varsóvia. E foi com a ajuda de bombeiros e de camiões de lixo, que as crianças eram retiradas do gueto e abrigadas em conventos ou entre famílias católicas. Fazia então parte do movimento de resistência Zegota, (Conselho de Ajuda aos Judeus).
Foi presa em 1943, torturada, presa e condenada á morte, sendo sido salva por um dos oficiais alemães contrário ao regime hitleriano. Viveu sobre identidade falsa até ao final da guerra, e continuou a trabalhar como supervisora de orfanatos e no seu país.
Por isso, meus caros, façam-me o seguinte carinho. Eu sei que a maioria gosta de correntes e reenvios de correio. Confesso que há alguns que me dão gozo reencaminhar, pela originalidade, pela imagem, pela estupidez ou apenas pela preguiça de escrever que ainda vos gosto, e mando-vos mais este email para saberem que ando por aqui e tal.
Mas destes, eu passo. Já tive a minha cota parte de horror, vivo ainda com uma grande parte dele, sei coisas a mais que não devia saber, e recuso-me a reencaminhar o passado. Lembrem-se que o cérebro guarda e encaixota e só se esquece se nós quisermos. Eu sei quem era a Irena, o Oskar Schindler, David Bankier, Andrée Peel, ou até tristemente Victor Capesius, apenas para citar um numero ínfimo .
E voçes sabem?
Quinta-feira, Dezembro 17, 2009
Faz de conta que

Quem me conhece, sabe que esta época é considerada uma espécie de sequela ao filme "Abate ao inimigo público nº1 …a ganância", de nickname, Natal.
Porém, para quem gosta e faz por acreditar na fé e no próximo, vamos uma vez mais dar as barbatanas e, jurar pelas alminhas, que o próximo ano vai ser recheado de coisas enigmáticas e concretizáveis.
Festas felizes pelo corpinho e, que alguém vos acompanhe desde já.
Beijos e abraços e coisa e tal e bagos de uva! (já vai assim incluído o desejo da outra cena fantasiosa que se chama passagem do ano)
Desta vossa e ao dispor
J. P.
Quarta-feira, Setembro 16, 2009
Quinta-feira, Junho 04, 2009
Eu digo que sim, acobertados pelos status quo, arrastamos insipidamente a carcaça com pressupostos adjectivados. De quando em vez esticamos o tentáculo para alimentar o estômago, o ego, a vaidade.
E temos pena, não piedade, daquele que se deita na calçada suplicante ao contorná-lo rapidamente.
A dor é pegajosa e imunda.
Ao chegar a casa uma vez mais percebemos que, a nossa pobreza não está nos zeros do cartão de crédito, mas sim no nosso triste espírito egocêntrico.
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009
A verdade da mentira
Eis findo o prefácio das verdades e das mentiras.
Comecemos.
A nº 1 é mentira. Não foram 8 mas foram 5. E não contam as casas de férias. Essas para mim não são casas, são pequenos apeadeiros onde pernoitei, alugadas, que deixaram de existir há mais de três anos pois já sou chulada que chegue pelo governo anualmente.
A nº 2 é verdade. O meu pai era cangalheiro, encomendava sempre face to face os ditos de pau-santo-preto-ou do que quiserem, lá para os lados do Porto. Era habitualmente ao fim da tarde e a dois, que se iniciava a lendária odisseia das sete horas em estradas que não lembram ao diabo. E uma noite o Mercedes entrou debaixo de um camião que iniciou a curva em contra-mão. Três horas depois de alicates em chapa e angústias paternais, levaram-me para a unidade do São João com um traumatismo craniano -percebem agora decerto como está tudo interligado.
A nº 3 é mentira. A mais horrenda e agoniante mentira que já preguei. Odeio banana! Mas assim a odiar mesmo, pele de galinha, revolteio estomacal com saliva biliosa e tudo. E com laranja - que só marcha em forma de sumo - e bolacha misturada é, puro suicídio.
A 4 é verdade. Por mais macabro que o imaginem e sem nexo, a melhor forma de defesa depois de uma automática é uma que não faça barulho. Sou parte das estatísticas de violência doméstica, e tenho noites em que ainda acordo de salto pronta a zarpar.
Não há cura no silêncio e auto-suplício e eu, aprendi a defender-me.
A 5 é verdade. Uma das minhas cadelas ao cair de barriga em cima de uma Yuca, perfurou um intestino ficando parte do pico lá enfiado. O veterinário de urgência estava sozinho nesse sábado, e só me restou ser o seu ajudante -Isto é muito parecido ao que tu fazes. Ajuda-me por favor ou ela morre.
A 6 também é verdade. Embora me levante ao primeiro toque o horário está sempre na corda bamba. A malta mija e no entretanto vai lavando a dentuça. Um bocado buçal confesso.
A 7 é verdade. Estava a entrar de turno, ainda na estrada de terra junto à quinta onde morei. A vaca desde manhã que mostrava sinais de parto iminente, mas agora urrava e espumava deitada com uma das patas do vitelo de fora e, nada. Não entrei na cerca borrada de medo, mas a taquicardia quase me fazia vomitar. Sorte a minha deparar-me com uma vaca exausta e inteligente que me deixou enfiar a mão e o braço naquele canal viscoso e sanguinolento atar uma corda aos dois pés da cria, e de rabo no chão e pés descalços na ilharga da bicha ir puxando devagar a vitela que em honra da madrinha se começou a chamar Jonas. Não é propriamente a coisa mais bonita ter uma vaca com o meu nome, mas todas as tardes a minha filha mais nova me obrigava a parar na berma para ir oferecer de merenda malmequeres frescos, aos olhos castanhos com as pestanas mais bonitas que já vi na vida.
A 8 é verdade – gotinha, pá! Esta é para ti. Depois de mais um fim-de-semana em que o gajo não me entregava os putos, após uma espera de quatro horas pelo findar de mais uma reunião na porta do local onde o dito trabalhava, convulsionei. Foi interpelado, espremido e seguido. Posteriormente empurrado para um local recôndito. Ele e o carro - eis mais uma das vantagens de se ter um jeep. Na tentativa de sair do carro e telefonar para a irmã que cautelosamente escondia os putos na casa dela, foi encostado de vez ao muro. E sim Marie, nesse dia fumei o cigarrinho no tejadilho, enquanto rodava o telemóvel da criatura com a outra mão.
E depois, fui apanhar os putos depois de vários pontapés na porta da triste imbecil, e enche-los de mimos lá em casa.
A 9 é mentira. Tenho um humor insuportável ao acordar, não suporto barulho nem apertos, e detesto forçar as hormonas logo de manhã. Tenham dó.



